Pearl River


O segredo está na cozinheira
February 24, 2010, 8:09 pm
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– O que é que as pessoas gostam de comer aqui?
AJ – Os portugueses gostam de minchi com ovo estrelado, feijoada, polvo guisado, bacalhau feito à portuguesa, à brás ou à minhota. Os chineses, alguns provam as nossas comidas, outros pedem pratos mais parecidos com o que estão habituados.

– E a dona Aida, quando toca a comer, do que é que gosta?
AJ – Eu? Vejo todos os dias esta comida, já estou farta, quase que não como. Como pão com qualquer coisa. Já não me lembro se tinha algum prato favorito. Agora faço mas não como (risos). Bem, na realidade são os cozinheiros que fazem, eu só provo os pratos, dou indicações. Eles estão cá há muitos anos, sabem trabalhar bem.

Muito prazer me deu entrevistar Aida Jesus, ou dona Aida, rosto da cozinha macaense aos 94 anos. Apesar do português lhe sair tremido, tem histórias para contar que nunca mais acabam. Os velhos tempos do Hotel Lisboa, a Revolução Cultural e os ecos da II Guerra em Macau. A feijoada que comi no restaurante Riquexó, onde ainda é uma espécie de ‘chef executiva’, é coisa para ver dez livros. Para ler na íntegra aqui.



O meu Agosto
February 17, 2010, 8:16 am
Filed under: Artigos, entrevistas, Ponto Final | Tags: ,

Achava que o Miguel Gomes seria um tipo interessante, inteligente. Mas foi quando, ao telefone, me deu esta resposta que percebi que sabia mesmo do que estava a falar.

– Houve quem se queixasse da qualidade dos actores na segunda parte de “Aquele Querido Mês de Agosto”, naquilo que há de “ficção”. Criticou-se a falta de experiência dos actores que não são profissionais e as interpretações. Estava preparado para isso?
MG – Há quem se queixe disso mas também há quem ache que os actores funcionem bem. Sabia que não ia ter um registo próximo daquele que pode ser dado por um actor profissional, mas não era isso que eu queria. Aliás, quando se fala da primeira parte ser documentário e da segunda ser ficção, acho que a segunda continua a ser um documentário sobre como aquelas pessoas interpretam personagens, fazem cinema. O filme também é muito sobre isso, sobre este encontro entre uma série de pessoas de uma região e uma equipa de filmagem que decidem todos fazer um filme. O prazer do filme passa pelo prazer das próprias pessoas que têm este desejo de, nem que seja pelo tempo de um filme, pelo tempo de um verão, serem actores de cinema.

O Miguel está a trabalhar noutro projecto, coisa para ser parcialmente rodada em África. Pelo menos no papel. Porque depois, já se sabe, os imprevistos são o motor do cinema deste homem. Se correr tão bem como “Aquele Querido Mês de Agosto”, estamos salvos. Querem saber who the fuck is Miguel Gomes? Vejam o filme.
A entrevista dada ao Ponto Final poe ser lida aqui.