Pearl River


a madeira das pedras
February 23, 2010, 5:21 am
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Este texto do Paulo Moura sobre a tragédia madeirense é arrepiante. Uma reportagem séria, crua, capaz de sugerir dezenas de imagens aterradoras àquelas que a lerem com atenção.

Na cidade, a chuva parou e as pessoas vieram ao centro ver os estragos, como se fosse um espectáculo que um dia descreverão aos netos. Há muita gente, mas um estranho silêncio. Há zonas alagadas e outras em que a lama solidificou, deixando automóveis incrustados até ao tejadilho à maneira dos fósseis, em posições desgovernadas de quem tivesse participado numa dança louca. Dir-se-ia que andou tudo a voar.
Nas ribeiras ainda corre uma água castanha, rápida e rumorejante. Um som estridente, semelhante a uma gargalhada. Ao fundo, o mar espera, cúmplice. De certos sítios, agora calmos, ninguém se aproxima, com medo, como se ali tivesse rugido uma fera.

As minhas lembranças da Madeira, onde apenas estive uma vez, há dois anos, são as melhores. Recordações de sol, boa comida, poncha, mar sem fim, felicidade. Ver aquelas ruas alagadas de pedras e paus e carros amontoados é como olhar fotografias de um lugar que desconheço. O número de desaparecidos confirmado pelo governo regional já subiu para 32 e os ecos da catástrofe também chegaram à imprensa chinesa.



a ouvir
February 20, 2010, 12:21 pm
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O novo disco dos Vampire Weekend, “Contra”, depois de ler este artigo do Mário Lopes. Não é tão imediato como o primeiro e homónimo trabalho destes moços de Brooklyn. Mas tem umas quantas grandes faixas, a começar por “Cousins”, para escutar no vídeo abaixo. É uma valente algazarra indie-rock.



talvez foder

Escreve José Rodrigues dos Santos em “O Codex 632”

“Parou de comer e fitou-o com uma expressão insinuante. ‘Sabe qual é a minha maior fantasia de cozinheira?’

‘Hã?’

‘Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas.’

Tomás quase se engasgou com a sopa.

‘Como?’

‘Quero fazer uma sopa de peixe com o leite as minhas mamas’, repetiu ela, como se dissesse a coisa mais natural do mundo. Colocou a mão no seio esquerdo e espremeu-o de modo tal que o mamilo espreitou pela borda do decote. ‘Gostava de provar?’

Tomás sentiu uma erecção gigantesca a formar-se-lhe nas calças. Incapaz de proferir uma palavra e com a garganta subitamente seca, fez que sim com a cabeça. Lena tirou todo o seio esquerdo para fora do decote de seda azul (…). A sueca ergueu-se e aproximou-se do professor; em pé, ao lado ele, encostou-lhe o seio à boca. Tomás não resistiu. Abraçou-a pela cintura e começou a chupar-lhe o mamilo saliente.”

Maravilhas como esta dão muito que escrever sobre a qualidade do sexo na literatura portuguesa. Foi o que fez o meu camarada Luís Francisco, que assinou o tema de capa do Ípsilon da semana passada. A não perder, aqui.